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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Técnica | Como testar o sistema eléctrico de carga em motos


Este artigo, resulta da necessidade que tive de verificar o rectificador-regulador (R/R) da minha moto. Disponho de um monitor instantâneo de carga da bateria (uma espécie de voltímetro) instalado no painel de instrumentos e este começou a assinalar-me um comportamento estranho do sistema eléctrico, sobretudo depois de algum tempo em funcionamento e quando sujeito a carga.
Normalmente, nas oficinas, o despiste destes problemas é feito por troca directa dos órgãos supostamente afectados, até ser debelada a avaria. É um método fácil, não exige conhecimento, mas que pode sair caro ao cliente. Por outro lado, quase sempre fica por descobrir a origem da avaria, que pode voltar a manifestar-se mais cedo do que o esperado.
Sendo eu a fazer a manutenção da minha moto e não tendo peças à mão para ir trocando, necessito de colocar em prática o parco conhecimento que possuo e algum raciocínio lógico, antes de me meter em despesas.
Neste sentido, partilharei aqui alguns diagramas que permitirão a quem o quiser fazer, verificar o estado do sistema eléctrico de carga da sua moto (clicar em cima do documento para descarregar).
Guia_1  Guia_2
Guia_3  Guia_4

Como complemento, deixo também um vídeo exemplificativo de como despistar avarias em rectificadores-reguladores do tipo “shunt” mais comuns.

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domingo, 22 de novembro de 2015

De novo a rolar


Passaram dez anos desde a última vez que andou. O surgimento de uma interessante oportunidade de negócio, e uma escandalosa oferta pela retoma, foram o principal motivo de ter sido relegada para o fundo da garagem.
Falo da minha Yamaha XTZ 750 Super Téneré, matriculada no ido ano de 1990. Vinte e cinco anos de moto.
No último mês de Agosto, enquanto liquidava os cento e vinte e tal €uros de imposto relativo a outra moto, apercebi-me de quão irracional estava a ser, depois de ter na garagem uma moto isenta e que poderia colocar a circular. Decidi então vender a moto mais recente e, com o dinheiro da venda reabilitar a Super Téneré. Para isso necessitava :
  • Verificar o alinhamento da ciclística;
  • Pintar as tampas do motor e os copos da suspensão (alumínio oxidado);
  • Reparar integralmente os carburadores;
  • Substituir todos os fluidos e filtros;
  • Reparar ou substituir escape;
  • Substituir colectores de escape;
Isto seria o fundamental para tornar a moto operacional, sem que me envergonhasse. Comprei os materiais e procedi à sua montagem. Porém, há algumas coisas de que não abdico e decidi meter mãos à obra.
  • Refiz a instalação eléctrica, dotando todos os circuitos de potência (iluminação) com relés auxiliares;
  • Instalei um circuito dependente da ignição para o accionamento de acessórios (tomada DIN; 2x tomadas USB; GPS;
  • Instalei um voltímetro;
  • Construí e instalei um lubrificador automático da cadeia de transmissão;
  • Construí e instalei vedantes para os passadores de combustível;
  • Instalei um passador de combustível principal, accionado por vácuo;
  • Instalei um dispositivo de alarme;
  • Montei punhos aquecidos;
  • Construí um visor de protecção frontal mais elevado e instalei-o;
  • Mandei estofar o assento.
  • Pintei a Topcase (e o capacete);

Eis como ficou a máquina:
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sábado, 3 de outubro de 2015

Yam XTZ 750 (ST) | Como reparar fugas nas torneiras de combustível


Depois de 10 longos anos de ‘hibernação’, as torneiras de combustível da minha Super Téneré (S10) tornaram-se ineficientes, gotejando abundantemente. O tempo tem destas coisas – envelhece os materiais.
MotoGozo106

A Yamaha não disponibiliza qualquer kit de reparação. Vende apenas a torneira completa, mas a um preço exorbitante. Existem no mercado fontes alternativas, que dispõem de kits de reparação para este efeito, mas também caros. Pagar cerca de 20 €uro por cada um, parece-me caro. Porém, o preço até poderá ser uma circunstância ultrapassável, mas importar as peças implica tempo em que nos veremos privados da moto e isto pesa...

Estas duas razões levaram-me a reflectir Pensativo. Há alguns anos atrás, sobretudo antes do advento da internet que facilitou os processos de pesquisa, a necessidade aguçava-nos o engenho e as soluções para os problemas procuravam-se e encontravam-se nas garagens de cada um. Eram os tempos do ‘old school’, ou seja, o tempo em que os ‘artistas’ eram menos e os verdadeiros artistas, eram mais artistas. Perdoem-me o trocadilho.

Eu sou desse tempo e, pelo facto de andar sempre a contar os tostões e a não querer sujeitar-me a ficar com a moto parada pelo menos durante uma semana, decidi meter as mãos na massa e assim construir os vedantes de que necessito.

A primeira coisa a ter em conta é seleccionar o material apropriado ao fim a que se destina. Tratando-se de gasolina, o material mais resistente e comum no mercado é o Viton. Adquiri um pedaço numa empresa local de vedantes, com a espessura de 3mm.
A partir daqui, coloquei o vedante original por cima do Viton e com um marcador, risquei sobre este os contornos da peça original. Para a executar, utilizei furadores tubulares com o diâmetro adequado e um X-acto de precisão. Ajustei o diâmetro exterior do vedante com o recurso a um pedaço de lixa.
MotoGozo105
O processo de fabrico e montagem demorou cerca de uma hora para duas peças e o custo total foi inferior a 5 €uro. Fica a dica. Piscar de olho


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Yam XTZ 750 (ST) | Para quem se esquece das torneiras de gasolina abertas


Todas as motos dispõem de torneiras ligadas ao depósito de combustível. Hoje em dia, servem apenas propósitos de manutenção, permitindo fechar o circuito de alimentação quando é necessário retirar o depósito, p.e..
Contudo, nas motos com alguns anos, sobretudo dispondo de carburadores, estes dispositivos requerem utilização frequente, já que impedem que as válvulas dos carburadores fiquem sobre pressão permanente, correndo o risco de colarem, se a moto não for utilizada durante muito tempo. Outro motivo, prende-se com a utilização do descanso lateral que, por colocar a moto inclinada, faz com que as válvulas accionadas pelas boias existentes nas cubas não funcionem convenientemente, pois essa não é a sua posição natural de funcionamento.

Quem tem o prazer de usufruir de alguma Yamaha Super Téneré (XTZ 750), já lhe aconteceu certamente, deixar as torneiras de gasolina abertas de um dia para o outro e pelo facto da moto ficar inclinada, passar gasolina para os cilindros. A mim, já me aconteceu várias vezes.
Aborrecido com esta situação, resolvi eliminar definitivamente o problema.
Há quem o tenha feito intercalando uma electroválvula no circuito de alimentação, mas eu preferi optar pelo método mais comum utilizado nas motos - uma válvula de vácuo.
A bomba de combustível da ST é accionada a partir de uma das duas tomadas de vácuo disponíveis, pelo que decidi utilizar a tomada disponível para este efeito.
Válvula de vácuo para fecho do circuito de combustível
Como válvula, utilizei uma válvula de combustível de uma scooter. A marca pouco importa ( a que utilizei é chinesa), mas é necessário ter em conta os orifícios de entrada e saída, por forma a manter o caudal de gasolina necessário ao circuito.

Montei o dispositivo antes da entrada da bomba e... passei a esquecer-me das torneiras de gasolina abertas. Sorriso


ACTUALIZAÇÃO:

Tudo funcionava às mil maravilhas mas, um dia destes, após ter posto o motor em marcha e durante a fase de aquecimento, este parou e não mais pegou.
Propus-me perceber a razão da anomalia. Desmontei as velas e apercebi-me que estavam a queimar bem, ou seja, não estavam encharcadas e estas produziam a necessária faísca para a ignição. Isto apontou-me então na direcção da alimentação de combustível, que passei a verificar minuciosamente, tendo descoberto o seguinte:

Tratando-se de um bicilíndrico a 360º, os momentos de sucção são simultâneos em ambos os colectores. Estão em fase, portanto. Se o motor se mantiver ao ralenti durante algum tempo e simultaneamente com o ar fechado (shock), o accionamento da bomba de combustível e da válvula (ambas accionadas por vácuo) fica condicionada à actuação apenas em semi-ciclos (a cada 180º), impedindo que a gasolina chegue até aos carburadores. Esta situação ocorre raramente, mas ocorre, retirando fiabilidade ao sistema. 

Assim, como apologista que sou de sistemas fiáveis, não poderia deixar de criticar e alertar para este fenómeno e recomendar que, face a este imponderável, se utilize uma electroválvula no lugar da válvula de vácuo. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Yam XTZ 750 (ST) | Alinhamento de Chassis (quadro)

 

Há tempos, enquanto um amigo dava uma volta com a minha Yamaha S10, descobri que a moto apresentava um desalinhamento entre a roda dianteira e a posterior, coisa esquisita já que a moto não se desviava da trajectória, nem apresentava nenhum comportamento anormal, que é evidente nestes casos.

Trocando opiniões com alguns amigos, tudo apontava para um empeno na suspensão dianteira, resultante de uma queda ou acidente do proprietário anterior. Decidi então começar a despistar a ‘coisa’ por aqui, adquirindo uma suspensão dianteira completa, que uma vez montada se mostrou inconsequente, ou seja, o problema não estava ali.

Descartada uma anomalia na suspensão dianteira, restava-me verificar o chassis ou quadro, certamente a que me iria dar mais trabalho. Comecei por tentar descobrir uma oficina que disponibilizasse serviço de desempanagem de quadros na zona do Porto, que se mostrou quase infrutífera. Há alguns anos atrás, existia um equipamento destes na Motodouro, que entretanto encerrou. Disseram-me que um antigo funcionário desta casa ainda executava particularmente este tipo de trabalho, mas após contacto telefónico que estabeleci com o próprio, fez-me saber que encerrou a actividade. Deram-me a conhecer outra entidade, a quem em boa hora recorri:

BIG RELA de FERNANDO de ALMEIDA PINHO
Rua 5 de Outubro, 200
Cesar (Oliveira de Azeméis)

Tel. 256 851 348

Visitei primeiro a oficina, a fim de conhecer pessoalmente a quem iria entregar a minha moto. Assim pensei e melhor decidi. Conheci pessoalmente o Sr. Fernando Pinho, que se revelou uma pessoa afável e bem disposta. Depressa percebi que a sua forma de estar é tão simples quanto genuína. O homem está estabelecido no ramo desde 1972 e chegou a ser, talvez, o maior concessionário Yamaha da região, até ao dia em que – como diz - decidiu deixar de trabalhar para os bancos.

Faz questão de mostrar a sua pequena mas bem organizada oficina a quem o visita, onde trabalham vários profissionais dedicados. Durante a minha visita, fiquei a saber algo que me diz muito sobre a casa e quem a dirige. Um dos mecânicos, o Sr. António, trabalha ali há mais de trinta anos e durante a minha visita, apareceu também o primeiro funcionário que a casa teve, que de passagem, lá foi deixar uma caixa de cerejas. Isto diz muito sobre a relação das pessoas que ali trabalham e trabalharam.

Passados uns dias, levei lá a moto para ir à ‘mestra’, uma máquina de última geração para alinhamento de chassis de motos quer de aço, quer de alumínio, que se revelou eficaz.

Máquina para alinhamento de chassis

Efectivamente a minha S10 estava empenada. Uma das canas do quadro cedeu por um dos furos de fixação da cablagem ao quadro (pelos vistos anomalia frequente em motos com esta idade), provocando o desalinhamento longitudinal. Porém a moto apresentava também outro problema, talvez resultante de uma batida de frente mal reparada (da qual nunca tive conhecimento). A distância entre os eixos apresentava-se mais curta cerca de cinco centímetros, facto que só foi possível despistar e corrigir com a ajuda deste equipamento. Após ter sido desempenado, foram reconfirmadas as dimensões originais e as canas ou travessas do chassis foram soldadas e assim eliminados os pontos de fragilidade. De seguida testou-se a moto em estrada e, como não poderia deixar de ser, o resultado foi o que todos esperávamos: IMPECÁVEL.

Quando escasseiam os bons e dedicados profissionais – que designo como sendo da velha escola – nunca é de mais enaltecer o trabalho dos bons, que em jeito de agradecimento não posso deixar de recomendar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Yam XTZ 750 (ST) | Quando o consumo dispara

A Yamaha XTZ 750 Super Ténéré foi uma moto que marcou uma época. Tem um motor fabuloso e um desempenho sem rival no segmento da sua geração. Quem as conduziu durante muitos quilómetros (alguns milhares), apercebeu-se com toda a certeza, que com o tempo e gradualmente o consumo de combustível começa a aumentar (8 a 10 litros), tornando a sua utilização proibitiva face ao custo de vida actual. Esta é a principal razão do seu baixo valor comercial, quando comparada com outras motos do mesmo género. 

Mas para quem as possui e pretende preservar, como é o meu caso, nem tudo está perdido.

Porque aumenta o consumo?

Esta moto utiliza dois carburadores Mikuni de 38mm, excelentes diga-se, funcionando numa configuração de alimentação quase vertical.

2014-11-28 16.42.18-1

Por este motivo, as agulhas trabalham horizontalmente e com as vibrações de trabalho do motor, vão ‘martelando’ os tubos de emulsão que as envolvem, provocando desgaste. Nas imagens seguintes, é visível o desgaste quer na agulha, quer no tubo de emulsão, que tende a ficar ovalado, alterando assim o caudal de combustível desejado e consequente o aumento do consumo.

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A substituição destes elementos deverá ser prioritária, e só por si, com uma nova afinação e sincronização dos carburadores, deverá fazer retornar o consumo para os níveis anteriores à anomalia.

Caso os carburadores não sejam mantidos há muito tempo, talvez seja a hora de lhes dedicar algum tempo e dinheiro, fazendo-lhes uma revisão mais alargada, tarefa a que me propus fazer nos meus, e da qual darei conta noutra oportunidade.